15 outubro 2006

O silêncio

Recebi este texto de presente na última reunião do Clube do conto. Divido com vocês.

Para Ronaldo Monte e seu poema "O Silêncio".

Sempre vi no silêncio uma poesia maior, da qual se extrai todo o "não dito", todo o esquecido. Admiro-o mais do que qualquer outro som, mais do que qualquer outro ritmo. O silêncio é pulsação. Às vezes, torna-se tão forte quanto o som de mil tambores ruflando uníssonos.
Certa vez li um poema que dizia:

O silêncio
é o solo da palavra.
Quanto mais denso,
mais forte o verbo
que dele brota.

Eu concordo com o poeta. No amor, o silêncio antecede o beijo; na vida, antecede o choro; para a alma, o silêncio é repouso, instante de calma e reflexão.
Busquei pelo silêncio escapar de certas bifurcações que a vida impõe. Mas ele não foi feito para isso. Foi feito, sim, para que haja tempo de respirar fundo e mergulhar de peito aberto.
"O silêncio é o solo", o verbo sou eu.

Alexandre Santos

(Foto de José Jordán)

3 comentários:

Márcia disse...

esse último verso do conto é belo: e diz tudo.
um beijo daqui.

Ana Lia disse...

Que reflexão singela e bonita! Aliás,como a poesia em que se baseia.

Luís Burges disse...

Fiquei sem saber que parte nos coube na divisão se o quociente ou o resto...ou até a operação toda;-)))) seja o que for é muito bom, gostei francamente!!! e compartilho da opinião da márcia e da ana lia!!!!