21 agosto 2007

Fracasso


Vamos ter um pouco de coragem e olhar para o mundo em nossa volta. Quem são estes seres estranhos que erram sem nenhum sentido pela face da terra? Com que nome nomeá-los? Humanos? Somos seres humanos?
Somos, sim. Este é o nome do animal que erra para cada vez mais longe da sua animalidade. Um animal tem seus instintos para garantir seus padrões de conduta na preservação dos indivíduos e da espécie. O ser humano perdeu seus instintos, tornou-se um ser de cultura, movido por suas pulsões. Uma pulsão de vida e uma pulsão de morte.
A pulsão de vida, também chamada de eros, é aquela que agrega, que nos assegura a unidade do ser e nos faz procurar o outro. A pulsão de morte é a que separa o que não serve mais para continuar unido. Quando eros exagera em sua compulsão à ligação, é necessário que a sua irmã gêmea entre em ação, desligando os elementos, deixando-os livres para um novo trabalho de ligação erótica.

Voltemos a olhar sem medo o mundo em nossa volta. Estes seres errantes são o que sobrou do projeto de eros em construir uma humanidade. Perdemos a ligação com o outro e o pouco de erotismo que nos sobra serve, mal e porcamente, para manter uma individualidade inútil e destrutiva. Estamos no pleno regime da pulsão de morte. Aceitemos, pois, o momento de destruição.

O projeto humano fracassou. Resta-nos abandoná-lo e, a partir dos seus escombros, tentar construir o projeto de outro animal. Um animal solidário, com outro nome que a solidariedade nos dará.
Ilustração: Os despejados. Portinari

4 comentários:

Lidyane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Censura? Esse é o projeto do governo lula.

Only feelings... disse...

Penso a mesma coisa a respeito de nossa humanidade, saímos um pouco dessa ignorância quando há um estalo de pensar a fundo e escrever sobre isso. Ainda não sei se é inútil porque ninguém ouve ou se já é fracassado desde sua criação.
Boa semana!

Simone disse...

Boa, Rona. Isso que vc diz é tão verdadeiro que dói. Mordida de mosca varejeira. É isso mesmo. Cuidemos. Sempre é possível, a caminho da luz.