06 janeiro 2009

Sobre "Som e sofrimento"

Foram muitas as pessoas que responderam à provocação que fiz na última postagem do meu blog sobre o problema da agressão sonora como epidemia ameaçadora à saúde pública.
A razão da ampla divulgação do texto deve-se à sua transcrição pela revista eletrônica Sim Paraíba, editada pelo fotógrafo Guy Joseph (http://www.simparaiba.com/), onde convive com dois textos excelentes do jornalista Petrônio Souto. Teve também a decisiva acolhida que recebeu nas listas http://www.umaseoutras.com.br/, mailto:cidadeecultura@yahoogrupos.com.br e mailto:coisademulher%40yahoogrupos.com.br. O jornalista Rubens Nóbrega também deu uma força na sua coluna de hoje (6.01.09) no Correio da Paraíba.
Desânimo
O que me chamou a atenção, porém, foi o grau de desânimo quanto à possibilidade de enfrentar a marcha progressiva dos batalhões dos predadores sonoros. E a principal causa do desânimo é a descrença na vontade dos poderes públicos em enfrentar o problema.
Daí que a maior parte dos comentários sugere a mudança pura e simples dos incomodados, dado o risco do enfrentamento pessoal e direto. Um deles me sugere a fuga na leitura de um bom livro e aproveita a oportunidade para, modestamente, recomendar um romance de sua autoria, recém editado. Se ele me autorizar, posso publicar o nome da obra e do autor. Outra me sugere a compra de um bom fone de ouvido e me fornece o endereço eletrônico de uma rádio que toca música clássica.
Dentre os relatos daqueles que tentaram enfrentar o problema, tem o de uma escritora que, em setembro de 2007, prestou queixa à Sudema e à Ouvidoria da Prefeitura de João Pessoa sobre esse tipo de agressão. Somente em outubro de 2008 recebeu uma resposta da Ouvidoria perguntando se ela gostaria mesmo de manter sua reclamação. Acontece que a reclamante já havia se mudado há mais de um ano, só lhe restando agradecer a presteza do atendimento.
Por outro lado, duas amigas me encaminharam e-mails da Secretária Adjunta da Secretaria do Meio-Ambiente da PMJ, colocando-se a serviço do movimento que porventura surgir a partir da discussão objetiva do problema.
Extensão do problema
Como é sabido por todos, o problema da sujeira sonora não se restringe à nossa Capital. Recebi testemunhos da mesma degradação em cidades como Pombal e Bananeiras. A extensão da epidemia é reafirmada por mensagens enviadas de Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Florianópolis.
Uma lista de discussão
Por considerar como correspondência privada a maior parte dos comentários enviados para o meu e-mail, não me sinto no direito de divulgá-los. Por isso, sugiro que alguma lista já existente se ofereça para abrigar as postagens sobre o assunto, o que proporcionará aos interessados uma visão de conjunto das opiniões e sugestões.
Próximos passos
A partir das sugestões oferecidas na lista que for disponibilizada, sugiro que agendemos uma reunião em que sejam convocados os agentes públicos responsáveis, incluindo aí representantes da cidade de Cabedelo, pela contigüidade territorial e compartilhamento dos problemas causados pela epidemia.
Enquanto isso, minha “assessoria jurídica” (leia-se Ana Lia, minha filha) está fazendo um levantamento das leis e regulamentos já existentes e disponíveis na rede sobre o assunto.
Sugiro a todos que procurem tomar conhecimento de programas desenvolvidos em outros lugares para combater a epidemia sonora. A rede existe para isso.
Não sei, mas tenho a impressão que vamos conseguir alguma coisa se levarmos adiante o movimento. Um abraço ruidoso para tod@s.

4 comentários:

Anônimo disse...

Caro Ronaldo,
respondendo à sua provocação, como você mesmo escreveu, sobre a epidemia sonoro-agressiva que vivemos atualmente, esclareço duas coisas: primeiro, você não me respondeu se eu podia imprimir seu texto e distribuir com meus vizinhos barulhentos. A outra coisa: eu, Rudgy, postei um comentário no seu blog, onde digo que uma saída rápida que arrumei (para mim) foi colocar fones de ouvidos e sintonizar numa rádio bacana para fugir dos sons abusivos da vizinhança. Não sugeri que você "comprasse um bom fone de ouvido" e fizesse o mesmo. Gostei do seu texto e espero que realmente este trabalho não fique apenas na provocação, mas que possamos levar adiante um movimento de combate eficaz a esta mazela que já assume proporções bem nefastas.

Ronaldo disse...

Caro Rudgy: em primeiro lugar, é claro que você pode imprimir e distribuir meus textos. Afinal, é para isto que os escrevo. Só não respondi antes porque não tenho certeza de que você receberia minha resposta através do blog, uma vez que você assinou como anônimo. Quanto aos fones de ouvido, desculpe pela má interpretação. Espero que não fique magoado comigo. Afinal, não identifiquei o autor da suposta sugestão. No mais, agradeço sua atenção e interesse pelos meus textos. É para gente como você que eu escrevo. Um abraço. Ronaldo.

Anônimo disse...

Ronaldo, obrigada por sua atenção. Um esclarecimento: eu sou a Rudgy. Normal essa confusão com o meu nome. Nenhum problema. Ao escolher a identidade para enviar o comentário, não sabia o que marcar. As várias opções (Senha, URL, Open/id, Tags), ainda me causam estranheza na web. Fui no mais prático, o anônimo, que postou ligeirinho.
Meu email: rudgy@uol.com.br
Abs.
Rudgy

Anônimo disse...

A "democratização"do ab-surdo sonoro demonstra mais uma faceta no desmanche do tecido social: o "outro" e o mundo que se danem!

Tenho uma série de exemplos ,expô-los é redundância. Apelar para polícia é vão "não é da nossa competência" e os orgãos fiscalizadores pouco podem ou pouco fazem.

Na tentativa de construir uma saída e, é o que nos interessa, gostaria de colocar algumas questões:

Assim como o samba, o candomblé e a capoeira este fenômeno, ao menos enquanto o de, com trocadilho, AUTO-falante, veio para ficar. Sinal claro disto foi o show de demonstração dado por uma montadora no salão do automóvel em São Paulo de seu protótipo "carro de som" : uma caminhoneta feita para ser uma a-berração sonora! Ou seja, esta sendo feita uma "institucionalização" do som em alta escala.

Disto deriva que a repressão pode ser um tanto ineficaz, como se tem comprovado aos nossos ouvidos! E não estou falando do tipo do "som", afinal, vivemos o paradigma filosófico da diferença ( mas q a tipologia sonora é um segundo estrago, não resta dúvida!)

O que se tem em mente é que uma das formas de se lidar com este probema é a cooptação: o secretário de meio ambiente ( meio mesmo) e o secretário de turismo, poderiam ofertar áreas para as devidas ostentações de potência. Incentivar concursos e premiar de várias formas ... pelo design, pela potência, pela performance etc Incentivar a criação de uma associação destes "curtidores" e proceder uma atividade pedagógica no sentido óbvio de se manter o som restrito a determinados perímetros. Disto pode resultar em patrocinadores e uma nova forma de turismo! Fora disto : multa! ( é preciso entrar em contato com vereadores e deputados para este fim e espero que possamos construir uma campanha para sensibilizar as auto-ridades!) feito o cinto de segurança e o álcool...

Bem agora mesmo enquanto escrevo passa um caminhão de som anunciando o escambau!



Sei que isto é pouco ,mas na troca de ideias (SEM ACENTO!) haverá de surgir uma solução!
pedro alles