25 julho 2007

Tremendo nas bases


Estava vendo na MTV um especial sobre a cultura hip hop no Brasil e no mundo. Um dos entrevistados era o MV Bill, aquele do documentário sobre os falcões do tráfico. A certa altura do depoimento dele, começou a pipocar uns tiros, não se sabe onde. MV Bill parou a entrevista, ficou teso e falou com um tremor na voz: “assim é foda, cara. A gente tá aqui dando entrevista, fazendo oficina e os caras já entram atirando. Dá vontade de largar de vez essa porra”.

Aí eu fiquei pensando: se um negão desse tamanho, conhecedor profundo da cultura da violência em todas as favelas do Brasil, treme nas bases quando escuta um tiroteio, o que será que sente uma pessoa comum, uma mãe, uma criança, quando a chapa esquenta e a bala canta.

Não ficou claro no vídeo se os tiros eram da polícia ou de uma gang. Tanto faz. A violência é a mesma. Uma bala perdida encontra sempre um endereço de chegada.

Aprendi a gostar do MV Bill depois que li “Cabeça de Porco”, o livro escrito por ele, o seu empresário Celso Athayde e o sociólogo Luiz Eduardo Soares. Tremi nas bases quando li seu desabafo final: “Ver esses jovens alucinados se autodestruindo é como ver uma bomba ser detonada e começar a contar para então juntar os cacos. É essa a sensação que tenho, uma bomba que vai explodir”.

Estamos em plena explosão. Por isso trememos nas bases. Os cacos estão espalhados por aí, esperando ser juntados.

Um comentário:

Only feelings... disse...

A situação não melhora, mas diante disso tudo, está o Pan, isso me lembra um pouco a política do "pão e circo" por algum motivo...
Será que adianta essas enormes mobilizações que fazem em nome da paz? Quando atacarem o problema pela raiz, ou seja, o tráfico, talvez haja alguma reação efetiva.
Parabéns pelo lançamento do seu livro!