08 maio 2007

Fúcsia


Acordei de manhãzinha, ainda madrugada. E como não queria sair da cama, peguei o novo livro de poemas de Vitória Lima para ler. Os olhos sonolentos se ofuscaram com a cor que escapava do título do livro: Fúcsia*.
Mais do que uma cor, fúcsia nomeia um livro sobre uma cor. Mas apenas um poema em todo o livro é dedicado a esta cor:

da paleta dos jambeiros
sai o fúcsia que
pinta & borda
as calçadas dos setembros.

Portanto, não é por conta deste belo e conciso poema que o livro se chama Fúcsia. Mais do que um livro sobre uma cor, Fúcsia é escrito sob a égide desta cor. Porque Vitória Lima é, ela própria, toda fúcsia. Para além do batom, Vitória é toda feita com esta cor que sai de sua paleta de palavras para pintar e bordar as calçadas por onde passeiam nossos sonhos.
Como já disse, li o livro de manhãzinha, fim de madrugada. Ainda em estado de sono, os poemas foram se moldando àquele clima denso dos restos de sonhos e se misturaram com eles. Saí da cama com o livro flutuando entre as paredes que protegem os sonhos e com eles se fechou quando tive que me declarar desperto. Agora, sei que seus versos estão dentro de mim, irmãos dos meus sonhos, prontos para despertarem sonâmbulos, quando mais uma vez for dormir. E meus sonhos terão a cor fúcsia.

*Edições João Pessoa: Linha D’água, 2007.

3 comentários:

- Lui - disse...

Embora eu não tenho lido o livro, a forma tão bela como você o descreveu fez com que também me sentisse flutuando numa atmosfera de sonho.

Antes tarde do que nunca, Ronaldo, gostaria de agradecer seu comentário em meu blog. Muito obrigada.

Um abraço

- Lui - disse...

Opa! Correção: "embora eu não tenhA lido..."

fúcsia disse...

Embora com um atraso de 3 anos, comento sua reação encantada/encantadora ao meu livro Fúcsia.
obrigada, Rona, de coração para coração, de poeta pra poeta.
Beijo com baton.